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quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Faltam 74 dias para a 11ª Maratona do Porto - Que fizeste hoje?

Há algum tempo que aqui não escrevo. Muita água tem corrido. Mas quem deve correr és tu, não a água, disse a raposa.

A rapariga tem feito...coisas! E sim, tem treinado alguma coisinha. O suficiente para dizer ai tenho um pé fundido, caso o pé fosse uma lâmpada. Mas se o pé fosse uma lâmpada, não estava fundido mesmo, estava apenas a falhar, a dar uma luz mais fraca, intermitente, insuficiente para a leitura de um bom livro onde a estória correria a velocidade constante.

Entre as "coisas" feitas, há um par de ténis comprados. Andava lá para ela a magicar que as dores no pé (calcanhar, tornozelo, tendão de Aquiles, a subir pelo gémeo acima de forma agoniante à medida que os treinos se desenrolam) se deviam fundamentalemnte aos ténis que tem usado e por isso resolveu abrir um bocadinho o cordão à bolsa e está convencida que os ténis novos são melhores. Melhores significam que lhe proporcionam melhor protecção, estabilidade e amortecimento para o seu esqueleto que já suporta com o seu insuportável peso.

Foi hoje estreá-los e ...pimba! 13,200 Km corridos em 1h20m em tranquilidade se considerarmos ter um pé aos gritos (baixinho) correr em tranquilidade.

Está contente e triste (mas pouco!) a rapariga: acredita agora que a Meia Maratona de S.João das Lampas vai mesmo ser corrida por ela e constata que não está mesmo em condições de abraçar nenhum programa de treinos para a Maratona do Porto.

É assim (e de outras formas também) a Vida.




sábado, 2 de Agosto de 2014

Faltam 92 dias para a 11ª Maratona do Porto - Que fizeste hoje?

De hoje precisamente a 3 meses (dia 2 de Novembro de 2014) estará a decorrer e a correr-se a 11ª Maratona do Porto.

E tu, que fizeste hoje?

Verifiquei minha inscrição:

De acordo com o site da Organização, serei o dorsal 102 e será com ele ao peito que correrei os 42.195 metros.

O objectivo é... cortar a meta, de preferência tendo percorrido os 42.195 metros da Maratona em passo de Corrida, o que não consegui o ano passado, pois tive de caminhar por diversas vezes a partir do km 35...36...por aí fora, ora corre ora anda, até à Meta.

Gostaria muito de não precisar de o fazer este ano. Gostaria muito de conseguir correr (por mais lento que  seja) os 42.195 metros, da Partida à Meta.

Conseguirei? Não sei.

E para além de verificares a tua inscrição, que mais fizeste hoje?

Corri 7,020 Km em 41m50s, numa média de 5'58" / Km

Recordações da 10ª edição:


ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Autocarro para a Maratona do Porto 2014




XI MARATONA DO PORTO - 2 de Novembro de 2014

AUTOCARRO para a 11ª Maratona do Porto 2014: Lisboa-Porto-Lisboa 

Custo: EUR 12,50 / pessoa - ida e volta -

Disponibiliza a runporto.com, coordena e organiza: Ana Pereira

Esclarecimentos e reservas para: 

anamariasemfrionemcasa@gmail.com 

Ou Tlm: 964 937 456

Saída Lisboa sábado de manhã (1 de Novembro); Regressa a Lisboa no domingo 2 Novembro depois de terminada a 11ª Maratona do Porto

Estás a pensar ir ? Não fiques muito tempo a pensar! Olha que os autocarros enchem depressa! Faz a tua reserva!


E eu? Eu também quero CORRER A XI MARATONA DO PORTO!  








E tu? Faltam 115 dias! Ainda vamos a tempo?

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

O Cupido e a Crise - PARTE III

Para que haja um mínimo de hipóteses, mesmo que remotas, de perceberem alguma coisa do que escrevo de seguida, convém ler primeiro:

O Cupido e a Crise - PARTE I, aqui.

e depois O Cupido e a Crise - PARTE II, aqui.

E agora sim, a continuação desta novela:  


O Cupido e a Crise - PARTE III


O que o Cupido não imaginava, é que depois de retirar a seta ao rapaz, pensando ter remediado o mal, não deixara apenas a ferida aberta, que cicatrizaria naturalmente em poucos dias, mas deixara também, bem profundo na carne a criar raízes entre músculos e vasos sanguíneos, bem perto do coração, deixara também... um pedaço da seta lançada naquela malfadada noite.

E por isso o rapaz tem sofrido e por isso a ferida não há meio de fechar. Ele bem se tenta distrair, olhar para o lado e assobiar mas em horas impróprias, sem aviso ou notícia, ela invade-lhe o pensamento, instala-se à sua frente sentada de pernas traçadas e braços abertos, sorrindo e provocando-o descaradamente com aqueles olhos doces malandros.

E o pior é que se voltaram a encontrar. E se ele já se estava a preparar para a esquecer, para se convencer que tudo não passava de imaginação e desejo seu, ela, com o seu ar doce e natural, olha-o como só ela sabe e transporta-o para além com um poder que mais ninguém tem. E pior ainda, depois de se cumprimentarem com dois naturais beijos na cara, ela descarada e naturalmente pede-lhe uma repetição de beijo. E ele, tão feliz quanto ingénuo e sonhador, derrete-se num sorriso de orelha a orelha, aproxima-se dela como íman, deliciado, e lentamente beija-a de novo nas faces. Primeiro a direita. De forma lenta, sensual e intensa. A sentir cada milímetro da pele macia dela a deslizar na sua. Os lábios dele tocam-na e deslizam suavemente quase ao encontro da boca dela para então numa súbita réstia de bom senso, afastar o rosto dele do dela, as bocas a  mílimetros, para então repetir o acto na face esquerda dela. 

Ouviram-se os sinos, os anjos tocaram arpas e ele esteve uma eternidade no Paraíso, apesar de aos restantes comuns mortais, aquele segundo beijo entre eles, perfeitamente dispensável pois já se tinham cumprimentado naquela noite, tenha durado o tempo escasso de brevíssimos segundos. Para ele foi uma eternidade adorável e doce e agora recorda cada miléssimo de segundo como instantes felizes na sua vida. Tão pouco e tanto! Começa a gostar mesmo daquela rapariga, pensa. 

Por vários momentos em que os seus olhares se tocam, ele sente vê-la para além da imagem que ela dá a todos. Sente-a além. Como se visse para além. Para além do sorriso habitual e da igualmente habitual simpatia. Como se visse para dentro dela.

Mas ele precisa e quer ver mais. Sente-se cada vez mais atraído e mais interessado. Não por aquela imagem simpática que a rapariga vende a qualquer um, mas verdadeiramente por ela, pela sua essência, pedaços dela que ela deixa escapar propositadamente ou não, por breves instantes aos olhos dele, atento. 

E ele quer mais. O sacana do Cupido bem que podia dar uma ajuda. O rapaz não percebeu ainda o que está efectivamente além daquilo que todos vêem nela. Ele, enxerga além, mas o horizonte está ainda turvo. 

Não desiste, pensa nela a toda a hora e acredita que ainda vai poder saborear aquela rapariga de verdade, longe das luzes da ribalta, da imagem criada, por ela e por ele também.

Em relação ao sacana do Cupido, o rapaz nem sabe o que lhe dizer ou fazer. Sabe-lhe bem este sentir. Adora sentir-se vivo de novo e só por isso, lhe agradece e perdoa a falta de setas naquela primeira noite.

domingo, 29 de Junho de 2014

35ª Corrida das Fogueiras


Peniche, 28 de Junho de 2014


Corrida está a 35ª Corrida das Fogueiras:

1h30m30s - 15,170 Km - Média de 5:58 / Km - Estupendo!!!- principalmente pela forma como geri a Corrida e como me senti!

A minha Corrida das Fogueiras:

Com a cabeça cheia de rock 'n' roll, a alma repleta com um turbilhão de emoções a fervilhar e o coração a transbordar de alegria, assim me apresentei em Peniche. 

Talvez o facto de fazer já algum tempo sem participar em provas tenha também contribuído para este estado: queria correr, uma vontade louca de sair por ali disparada a correr na noite de Peniche invadia-me a alma, percorria o meu corpo e despertava-me um prazer há algum tempo adormecido.

Houve alguns treinos para a distância e características da prova. Treinos suficientes para fazer a prova, entenda-se. Não muitos nem muito bons, mas acreditava que seriam suficientes. No entanto sabia que teria de ir com cautela. Afinal há muito que não corria a ditância e estava bem consciente que o facto de nas últimas 48 horas ter dormido apenas 2 com muita agitação e quilómetros de estrada à mistura, não prometiam grandes prestações nem me colocavam na melhor das formas físicas desejáveis para fazer a prova com prazer e acabá-la bem, que é sempre o meu objectivo.

Surpreendentemente verifico que me foi (aleatoriamente, como aconteceu com outros atletas também, o que é no mínimo caricato) um dorsal VIP. VIP eu? Pois sim... cá em casa talvez. Mas aproveitamos sempre para brincar com estas coisas. Verdadeiramente Importante Pessoa, traduzo livremente e admito que é verdade sim senhora, o dorsal foi-me muitíssimo bem atribuído!

O dorsal VIP permite-nos algumas regalias e se algumas dão muito jeito, o podermos partir na 1ª linha, é para mim, é uma completa loucura e se por momentos me vi tentada perante a insistência de uma colega de corrida que também lhe tinha calhado em sorte um dorsal VIP, e queria partir da frente, quando lá chego e vejo aquele mar de gente frenético, compacto entre as grades, a segurar os cronómetors, nervoso a dar à perninha, à espera do tiro para se soltar, voltei de imediato à realidade e decidi partir de trás. Partir dali seria uma completa patetice. Prejudicaria os que lá estavam por mérito e prejudicar-me-ia a mim também. Só iria estorvar, e corria sério risco de ser abalroada. Uma completa loucura e estupidez, na minha opinião, claro. Ela ficou, eu voltei lá para trás para partir numa zona com nível e andamento mais adequado à minha condição física.
E lá estou eu, excelentemente posicionada para a minha Partida - quem me encontra?
Fotos de Mafalda Lima - Espectacular cenário da Partida, este

Tiro dado e só passo a linha de Partida já tinham decorrido 3 minutos de prova. Precisamente só aí nos é possível começar a correr. Bastante congestionamento, abrandamentos porque há imensa gente e a rua é estreita (metada da rua, separada por grades).

Por isso o 1º km é corrido de forma tão lenta. Depois disso ia-se relativamente bem. Andamento bom (para mim) e lá fui somando quilómetros entre muita gente. 

Depressa estamos de novo na zona da meta, onde temos 6 Km percorridos e onde ficam os participantes nessa distância (Corrida das Fogueirinhas), para então a Corrida das Fogueiras começar verdadeiramente. Já há menos gente aglomerada e corre-se sem qualquer dificuldade. 

Muito público pelas ruas de Peniche. A aplaudir, a incentivar, a animar. Só por isso já valeria a pena.

E já ao lado do mar, onde os candeeiros se apagam começam elas a surgir. Aqui e ali, a crepitar brilhantes e a soltar fagulhas a esvoaçar com o vento. A iluminar o caminho, a dar às silhuetas dos atletas formas esguias e fantasmagóricas. Fantasmas à solta pelo asfalto, ao lado o mar com o inconfundivel odor salgado, misturado agora com o delas. As fogueiras.

Todos estes quilómetros junto ao mar, são a essência da Corrida das Fogueiras. Assim o sinto, assim o vivo. A estrada sobe e desce mas eu gosto. Muito! Vento na cara, nas pernas no peito. Encho-o com aquele mar e elevo-me. Sinto-me bem. O Paraíso está aqui e eu estou dentro dele.

Sinto-me tão bem que mesmo com os desníveis acelero o passo. Com naturalidade. Com facilidade. Cavalo à solta feliz é como me sinto. Aquela vontade louca de sair por ali disparada a correr na noite de Peniche preenche-me a alma, percorre-me o meu corpo e sai em cada poro em forma de suor, em cada passada, em cada inspiração. 

Tantas crianças pelo caminho de mão esticada para lhe tocarmos. Ganho energia em cada uma que toco. Que toco propositadamente mesmo fazendo curtos desvios à minha direcção que supostamente deveria de ser em linha recta, o mais curta possível para chegar à meta. Mas não, a vida não é uma linha recta. E ganho energia e alegria e amor em cada mão pequenina tocada. 

Acredito que os pais daquelas crianças não se vão esquecer de lhes mandar lavar as mãos com água abundante e espuma de sabão azul e branco ou de outra cor qualquer. É que as nossas mãos estão suadas, têm vestígios de fluido nasal porque já o limpamos várias vezes para o libertar do nariz, facilmente produzido pelo vento e pelo exercício. Sorrio com esta ideia. Mas não me preocupo e não dispenso uma mãzinha também ela consporcada, por tantas que já lhe bateram, e toco-lhes e eles sorriem de olhos brilhantes a reflectir a chama das fogueiras. E eu sigo mais rica, mais forte e mais feliz.

E assim, depressa demais chego ao km 14. Depressa demais porque queria e podia mais. Não queria que acabasse já... Mas a prova é de 15 km. Acelero mais. Estou tão, mas tão bem! Pernas, coração, cabeça. Estou completa. só me falta chegar à meta e reencontrar o meu pai. 

De novo, um corredor de gente a gritar-nos, incentivando-nos. Não vejo o meu pai. Corto a meta. 

Aguma confusão para sair dali. Muitos atletas chegados e há demasiada aglomeração. Muita confusão e águas ali, medalhas acolá passadas de mão em mão. Não gostei.  Saio dali o mais depressa que pude e procuro o meu pai no nosso ponto de encontro. Lá está ele. Está tudo bem portanto. Mais uma Corrida corrida e bem vivida. 

Saio de Peniche muito feliz. Porque corri, perguntarão? Não, por um milhão de boas sensações e emoções vividas, isso sim!

Ana Pereira

A Corrida quilómetro a quilómetro:

 1º Km: 6:43
 2º Km: 5:55
 3º Km: 6:16
 4º Km: 6:09
 5º Km: 6:02
 6º Km: 6:11
 7º Km: 6:04
 8º Km: 6:06
 9º Km: 6:14
10º Km: 5:55
11º Km: 6:11
12º Km: 5:49
13º Km: 5:46
14º Km: 5:14
15º Km: 5:03

O meu Melro, colaborador da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, com o seu colete novo, a postos para mais uma reportagem das suas, mas infelizmente por questões técnicas (ou falta delas) não  se conseguiu obter quaisquer imagens dos atletas em prova. Por isso estamos tristes, mas paciência. Venha a próxima:


E isto também é Peniche:
 
 




Fotos pela Mafalda Lima, podem ser vistas aqui 

Fotos pelo Pedro Mestre, da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, podem ser vistas aqui

sábado, 28 de Junho de 2014

500 e UHF

500. Nunca fizera tantos quilómetros num espaço tão curto de tempo para ir ver um tipo. Mas desta vez tratava-se de ir ver não um, mas cinco tipos. Uma mão cheia deles portanto. E portanto também, dá uma média de 100 km por tipo, o que já pode ser considerado perfeitamente aceitável e normal pela maioria das pessoas. E estes tipos valem isso e muito mais como se veio a demonstrar na noite de Tábua.

Assim, a rapariga pôs-se a caminho, e entre amigos teve mais um pedaço de vida feliz.

UHF, há mais de 30 anos entranhados nela, e depois de tanto tempo afastada, volta a sentir tudo de novo. Sentimento renovado e amadurecido, mas com a mesma energia e vigor. A mesma alegria. A mesma garra e vida em cada tema, que ela espreme e suga, sorvendo ao máximo a energia transmitda, a mensagem, a força, o encanto e a magia, tão necessários à vida dela e que escasseiam na maior parte dos dias.

Obrigada UHF!

E ontem em Tábua, os "Sonhos na estrada de Sintra" foram assim:


 









Mais fotos desta magnífica aventura, podem ser vistas num pequeno algum, aqui

segunda-feira, 23 de Junho de 2014

O aranhiço e a teia



Tenho um aranhiço a viver no meu carro.

Todas as manhãs quando o abro, sento-me e pouso os olhos sobre o espelho lateral esquerdo, lá está ele, vaidoso, suspenso na teia que vai construindo devagar, imagem reflectida no espelho, criando a ilusão de companhia.

E todas as manhãs, invariavelmente, quando abro o vidro, ligo o motor e começo a fazer a manobra para sair do estacionamento, ele, com alguma pressa, recolhe para trás do espelho, deixando a sua teia intacta a aguardar a noite. E na manhã seguinte o episódio repete-se.

Tem sido assim desde há muitas manhãs para cá. A teia está cada vez mais composta, começa mesmo a dar um ar de abandono ao carro.

Se eu fosse uma pessoa normal, já tinha limpo o espelho, destruído a teia e matado o aranhiço.

Mas começo a gostar dele, da sua imagem reflectida no espelho, do seu empenho na construção da teia e da ilusão de companhia.

domingo, 22 de Junho de 2014

O Cupido e a crise - PARTE II

O Cupido tinha consciência que tinha feito merda. Aquela seta disparada, num tiro certeiro mas erróneo, isolado por falta de setas, nunca devia ter acontecido.

Agora era ver o rapaz atingido, a olhar para o mundo e a vê-lo cheio de florzinhas cor-de-rosa e borboletas azuis a esvoaçar à volta dele e dela, e ela, a rapariga a quem deveria o Cupido ter atingido com uma segunda seta, era vê-la por aí, feliz da vida, completamente indiferente àquele momento de encontro com o rapaz, tão especial mas só para ele como nós sabemos. Simpática como sempre, atenciosa, carinhosa e educada, mas ela é assim com toda a gente amiga. Ele sabe isso, ele tem provas disso mas quer acreditar que cada gesto e olhar dela para com ele foi especial. Mas no fundo sabe que não. Sabe muito bem que este seu estado de pairar nas nuvens e viver a suspirar se deve apenas àquela malfadada seta.

O Cupido também sabia muito bem que as coisas não deviam fazer-se assim. E a crise com a consequente escassez de setas não podia ser responzabilizada.

Tinha de fazer alguma coisa. E então aproximou-se de novo do rapaz e decidiu retirar-lhe a seta. Puxou. Estava bem introduzida, tinha penetrado mais fundo que ele pensara e a resistência era grande. Aaaauuu...gemeu o rapaz sentindo os sucessivos puxões do Cupido já desesperado ao ver que não ia ser assim tão fácil corrigir a situação.

Dóiiiii..., disse o rapaz, mas o Cupido estava decidido. Com um ímpeto feroz, segurou a seta com ambas as mãos papudas, vincou os pés gorduchos nas costas do rapaz para funcionarem como alavanca e puxou com toda a força que tinha. E a seta cedeu e saiu por fim fazendo o Cupido cair para trás.

Auuuuuu..., gemia o rapaz, isso doeu... continuava a queixar-se o pobre rapaz.

Pois é natural que doa. O orifício ainda estava aberto, pequena ferida que vai cicatrizar mais depressa do que o rapaz supõe e depressa tudo voltará ao normal. Esta perspectiva se por um lado dava algum alívio ao rapaz, por outro entristecia-o ter de abandonar tais emoções tão violentas quanto doces ainda antes de as ver desenvolvidas e viver plenamente.

Pronto, suspira o Cupido. Está o mal remediado, agora estás de novo por tua conta, remata o Cupido colocando a seta no saquinho que transporta às costas e partindo rapidamente em busca de novos alvos. Ali...um outro rapaz...ou talvez "aquela" rapariga ali...

sexta-feira, 20 de Junho de 2014

O Cupido e a Crise - PARTE I

Ele estava num pequeno grupo entre amigos. Encostado ao muro baixo, conversava e a noite já caíra entretanto. Conversas breves, casuais, de amigos de curta data. Ainda assim, amigos, como ele gostava de os definir.

De repente, de forma clara e inequívoca sente-se observado por elemento exterior ao pequeno grupo, qual presa farejada e procurada por caçador em busca de caça e quando levanta a cabeça em busca do predador, vê-a! Primeiro, duvida se será mesmo ela. A noite já caíra e eles não se viam há demasiado tempo. Primeiro pareceu-lhe que sim, que era ela, para logo de seguida lhe parecer que não, que não era ela! Ela era mais baixa, magra, uma fraca figura despercebida na multidão. Pelo menos era essa a ideia que guardava dela, tal era a atenção que lhe prestara até aqui. E aquela rapariga parecia demasiado alta, esguia, elegante e de boa constituição, demasiado para ser ela. Mas os olhos, os olhos  dela em busca dos dele, acompanhados de um sorriso brilhante e determinado, buscavam-no a ele, decididos, com a certeza de que o queriam encontrar. A ele! E sim, era ela! Com firmeza, o rosto dela iluminado aproximou-se dele em passos largos de dança e com naturalidade cumprimentou-o. Tocou-lhe no braço e ele sorriu, completamente desarmado e deliciado. Ela deu-lhe um beijo em cada face e nesse breve instante de toque de pele, ele foi atingido! A pele dela, oh meu deus, a pele dela...Doce e macia como nunca a sentira. Doce e macia como nunca a imaginara. E os olhos! Oh meu deus os olhos! Castanhos profundos a afundarem-se nos dele, invadindo-o até ao âmago do seu ser, remexendo e despertando-o! E então ele sentiu! De forma muito clara o Cupido tinha-o atingido! Em cheio nas costas, ligeiramente acima da omoplata direita. A dor fina da seta ainda espetada nas costas misturada com prazer, davam-lhe uma sensação de estar vivo como ele já não se lembrava.

Nunca tinha olhado para ela "assim". Já se conheciam há uns bons meses mas nunca ela o cativara por aí além. Simpática sim, mas nada que o tocasse especialmente. Mas naquele momento breve, ele foi atingido. Certamente por seta errante de Cupido aflito a viver a crise. Logo agora que ele tinha o coração tão arrumado, tudo tão certinho e previsto na sua vida...ele não queria aquilo! Mas a seta, com uma precisão de cirurgião, atingira-o! E naquele momento exacto, ele começou a vê-la de outra forma. Tão diferente, tão doce, tão sensual, tão deliciosamente apaixonada.

O azar...porque há sempre um azar na vida deste rapaz, é que o Cupido, depois da seta disparada, é que olhou para trás, sobre o seu próprio ombro e verificou irremediavemente que devido aos cortes a que se vê também ele obrigado a fazer por causa da crise, aquela tinha sido a sua última seta...

terça-feira, 17 de Junho de 2014

15 anos

Dá por ela a escrever o nome dele nas margens do caderno onde está a matéria que deveria estudar para o exame que vai ter em breve.

A imagem dele é uma constante na sua cabeça, personagem fictícia retirada do mundo real, recriada do nada e ajustada aos seus sonhos e desejos de menina-mulher. A voz dele, o cheiro, o toque da sua pele macia quando trocaram o único beijo dado com pressa e as faces se tocaram por breves instantes, o olhar intenso, doce e penetrante dele e a forma como se move e ri, só de recordar fazem-na sentir-se nas nuvens.

Adormece com ele, agarrada à almofada, imaginando-o ali num abraço só sonhado, a cabeça dela sobre o peito dele que imagina belo como adónis.
Suspira e quase chora de saudade. Não sabe o momento de o voltar a ver. Aguarda. Uma palavra, um toque, um gesto, um sinal.

Acorda a horas incertas com ele no pensamento. Não tem fome nem sono nem sede nem nada. Vive na lua e sente-se docemente perdida numa amálgama de emoções experimentadas pela primeira vez. Está apaixonada.

Tão bom ter 15 anos! E um dia bem mais tarde na sua vida, vai descobrir que uma mulher pode ter 15 anos por várias vezes na sua vida e nessas alturas... sentir-se-á mais viva que nunca!