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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Trail do Monte Florido, o meu Trail Longo

Realizou-se hoje, 24 de Maio de 2015, o Trail do Monte Florido, com partida e chegada a Santo Antão do Tojal, percorrendo serras e estradas saloias.

Prova com organização a cargo do Terras de Aventura , e apoio de entidades locais, nomeadamente a União de Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal e também da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada.

A prova decorreu de forma razoável e poderia ter decorrido de forma exemplar se umas determinadas nódoas, facilmente  evitáveis e que já não deveriam cair num pano de uma organização experiente como o é a Terras de Aventura.

Inscrevi-me para o Trail Longo, à taxa mais baixa de valor de inscrição e paguei EUR 9,00.

Prometiam um Trail de sensivelmente 20 km, outro de 10 km e uma Caminhada.

A prova é naquela que posso chamar a minha terra, pois é a terra de meus pais e avós e onde cresci até aos 6 anos de idade e de onde tenho muitas memórias e histórias. 

Confesso que acarinhei de imediato a iniciativa e todos os esforços fiz para a sua divulgação e angariação de participantes.

A entrega de dorsais estaria prevista, para além do próprio dia da prova, também para a véspera, o que facilitaria a vida à organização e aos atletas, mas depois de hora e meia da abertura do secretariado na véspera, os dorsais ainda não tinham chegado.

Restou-nos dar a viagem como perdida, assim como a nossa intenção de facilitar o trabalho da organização para além de nosso próprio comodismo, e guardar a tarefa para o dia da prova.

Assim, no dia da prova, lá estávamos no local anunciado para a entrega do dorsais (Palácio dos Arcebispos) mas espantosamente o local estava deserto e não voltássemos à Junta de Freguesia e até esta hora estaríamos a aguardar os dorsais no local anunciado.

Dorsais levantados, com fila considerável e acabou por não se verificar qualquer controlo de partida para os atletas, conforme estava anunciado para as 9:00hrs, e não se cumpriu qualquer horário de partida anunciado.

Partida dada e encontra-se um percurso muito bem marcado com fitas e setas no chão.

Há mais asfalto do que eu gostaria mas as serras preenchem perfeitamente o espírito do Trail.

Há vários membros da organização pelo caminho, a dar indicações, conselhos e ânimo, assim como bombeiros e um óptimo policiamento nos pontos em que tínhamos de atravessar estradas, pelo que considero a prova bastante segura em relação ao trânsito, considerando que eram vários os contactos com o tráfego.


A prova era gerida em modo de semi-auto-suficiência, havendo no entanto anunciados 2 postos de abastecimentos líquidos para o Trail Longo. Se o primeiro estava impecável, com água a copo, podendo-se repetir, já o segundo surpreendeu positivamente pelas saborosas laranjas, mas negativamente pela ausência de água, para alguns atletas da cauda da Corrida. Foi-nos dito que já aí vinha, e veio em um minuto para mim que tinha chegado há pouco e sou uma rapariga de sorte. Outros houve que viram a água por um canudo e das duas uma: ou se sentavam num pedra à sombra à espera da água ou seguiam. E alguns seguiram. Sem a prometida e anunciada água. Mas com laranjas!

Membros da organização sempre presentes em vários pontos. Sempre as marcações excelentes, mesmo para atletas que se viram sozinhos na serra e distraídos como eu, não tinham grandes hipóteses de se perder.

É-me oferecida água mais à frente, num não anunciado e provavelmente improvisado posto de abastecimento, o que muito agradeci, embora tenha sido umas das que apanhou água na reposição da mesma no 2º posto.

Até me reabasteceram a minha própria garrafa, num gesto de cuidado e atenção, o que muito apreciei e agradeço àqueles bombeiros e membros da organização.

O calor é imenso, apesar da brisa do alto da serra. A paisagem é espectacular e a vista esplêndida sobre o vale do Tejo.

Há estradões soalheiros, caminhos e trilhos sob a sombras das árvores, pedras e verde, muito verde. Muitas flores a darem o nome ao Trail: Florido. Palha e ervas. E depois demasiado asfalto. Preferia bastante menos. Ainda assim é um Trail bonito. A repetir, em Corrida ou em treino, que descobri com esta prova.

A aqueduto, um chafariz e os tanques públicos, onde a minha avó tanta roupa lavou abrem-nos o caminho para a meta. 

A meta, de novo no largo do belíssimo Palácio dos Arcebispos, de onde também tinha sido dada a partida, aguarda-nos.

Meta cortada, e de novo uma mesa com belíssimas laranjas e diversos bolinhos. Onde têm a água? Pergunto ansiosa e sequiosa (é que eu meto muita água), mas a resposta é seca e curta: não temos, acabou-se. 

Resta-me o meu próprio abastecimento que tinha no carro que por sorte estava próximo. E a situação salvou-se para o meu lado.

Água. Água num Trail que teve mais de 22 Km, (quando eram anunciados 20), no mês de Maio, não pode ter falta de água. Nem mesmo quando a prova é em semi autosuficiência, os abastecimentos de água anunciados, assim como no final, simplesmente não podem falhar.  E a organização falhou. Apesar da boa vontade e cooperação de bombeiros e diversos elementos da organização pelo caminho. Esta falha não podia ter acontecido. Mas aconteceu. Uma nódoa que era escusada e que manchou este Trail na minha terra.

Os prémios de presença foram uma t-shirt "técnica" e ironicamente um bidão para água, que nos foi dado junto com o dorsal. Não faltaram os necessários alfinetes, nem os banhos no final, no Pavilhão Desportivo cá da terra.

Prémios para os primeiros da geral e por escalão: medalhas e troféus. 

Gostei do Trail, mas esta conversa da água teria sido tão facilmente evitável...e é pena.


A minha Corrida: 

Confesso que estava muito ansiosa, fosse lá porque era na "minha" terra, fosse porque tinha convencido amigos a participar pela primeira vez numa caminhada organizada e paga e não queria que nada lhes corresse mal.

A prova correu-lhes muito bem a eles e também a mim, não fosse o episódio da água. De qualquer forma, correu-me bem. Muitas dores nas pernas nas subidas, obrigando-me a caminhar e não sem dificuldade, e depois já cansadas as pernas, pouca força nos planos e até nas descidas. A sentir que devia e queria ter mais preparação para este tipo de Corrida que adoro. 

Conhecia praticamente a primeira parte do percurso e gosto dele. Já a segunda parte oferece-nos muito asfalto e o desnível não deu tréguas. Estou com uma dor de pernas que nem vos conto. Isto quer agora é...continuação! E mais treino e novo Trail à vista um dia destes.

Parte da prova sozinha e outra parte praticamente sempre com a Paula, que já só perto na meta, ficamos a perceber que afinal a vida já nos tinha juntado há uns anos, quando a levei à Maratona do Porto nos autocarros que a Runporto disponibiliza e para os quais se começam a aceitar inscrições dentro de dias.

Acabámos juntas, também porque a dada altura ela achou que estava perdida e voltou para trás, reencontrando-me e desde aí sim, fomos sempre juntas até à meta.

Distância marcada pelo meu Garmin: 22,190 Km, distância essa percorrida em 2h56m45s.

Os meus caminheiros estão bem e o meu pai também, de máquina em punho. Só posso sorrir em passos tão largos quanto as minhas forças permitem, para a meta e pensar na preparação para a próxima.

Algumas imagens:

Com as minhas caminheiras:

 Com o António Pinho e a minha Ana:
 A espera para a Partida:
A continuação da espera: 
Prontos para a Partida:
Partida dada: 
 As caminheiras:

Já passaram todos e por aqui voltarão para a Meta:

A caminho da Meta, com a Paula:

E é hora de ir embora: 


Mais fotos em:

Pelo meu pai, António Melro, na AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, aqui 


segunda-feira, 18 de maio de 2015

4ª Corrida Bucelas Capital do Arinto

17 de Maio de 2015

Decorreu hoje a 4ª Corrida Bucelas Capital do Arinto, prova inserida no 31º Troféu Corrida das Colectividades Concelho de Loures

Estive lá pela primeira vez. Gostei da inscrição (gratuita - como todas as provas do Troféu de Loures), e da facilidade de participação (o atleta uma vez inscrito, o dorsal dá-lhe acesso a todas as provas do dito troféu). Gostei das provas dos escalões jovens: a motivar o desporto, a ensinar o desporto, a dar uma visão/forma de vida diferente a muitos daqueles jovens.

Não gostei da hora tardia da prova principal: 10:45 hrs, quando as provas dos miúdos são bem mais curtas e poderiam em minha opinião decorrer mais tarde ou até enquanto decorria a principal, mas posso compreender que isso implicaria outra gestão nomeadamente ao que a percursos diz respeito.

Gostei ainda assim, da pontualidade e do percurso no geral, bem assinalado e minimamente acompanhado pela organização e polícia. Gostei do abastecimento a meio da prova: água, que foi o mesmo que recebemos no fim.

Gostei da rapidez nas classificações e nas entregas de prémios.


Não gostei que apenas os primeiros de cada escalão recebessem uma garrafa de vinho numa Corrida que se intitula Bucelas capital do Arinto. Não gostei que os 3 primeiros da geral, masculino e feminino tivessem prémios monetários quando o prémio de presença (uma t-shirt de algodão) fosse apenas para os primeiros 100 atletas. Se uma organização tem dinheiro para dar prémios monetários, não deveria limitar o prémio de presença (um trapo de algodão, bonito este por sinal) apenas aos primeiros 100 chegados. Na minha opinião, não faz sentido.

A não ser que o objectivo da prova seja ter preferencialmente atletas de elevado/algum nível atlético descurando ou mesmo dispensando(desprezando) o grosso do pelotão, não me parece que estes critérios sejam minimamente justos ou sequer ajustados ao espírito do Troféu: o Desporto para todos. Ou talvez eu esteja enganada e o que interessa a esta organização seja mesmo...os melhores. Eu estou longe de pertencer a esse grupo e saí de lá com uma garrafa de água e um sorriso de orelha a orelha.

São-me indiferentes os troféus atribuídos aos 3 primeiros de cada escalão, mas admito que terão importância para muitas atletas e vejo nisso uma nota positiva. A entrega de prémios no pódio foi uma cerimónia rápida e bonita. A fazer sentir bem todos os que lá subiram.

Não gostei nada do trânsito pouco condicionado a comprometer a segurança dos atletas. Ponto negro numa prova que podia ter-me deixado com vontade de voltar, mas nem por isso...

De qualquer forma, parabéns pela iniciativa, uma nota positiva pelo evento em si, uma nota mediana pela atribuição e distribuição de prémios e uma grande e clara nota negativa pelo péssimo serviço prestado pelas autoridades que permitiu que o trânsito circulasse em simultâneo com os atletas principalmente na parte final da prova.

Ana Pereira


A minha Corrida em Bucelas, capital do Arinto

Marcou o meu Garmin 9.970 metros que demorei a fazer em 55m50s

Em cada Corrida uma festa! O meu pai presente e bem, pouco mais preciso. Estava muito calor e andei toda a semana cansada. Na véspera tinha enveredado por uns trilhos e não estava propriamente fresca. 

O aquecimento foi ligeiro mas deu para perceber rapidamente que a prova ia ser dura. O asfalto e o Sol abrasador não nos iam ajudar.

Partida dada e lá vamos nós. Duas voltas a Bucelas, que fiz "demasiado" rápidas e depois seguimos em direcção a Vila de Rei. Na recta de alcatrão, só olhava a serra à minha direita, a minha serra com o moinho e as eólicas lá no alto e só pensava como estaria fresquinho lá em cima em comparação com aqui em baixo. Lá corri até ao retorno e parece que corre uma ligeira brisa ou talvez seja um efeito psicológico qualquer a fazer-nos optimistas, efeito que logo após o abastecimento (água) desapareceu por completo com a subida para Vila de Rei onde me fiz forçada a caminhar. Retomo a Corrida ainda antes de terminar a subida e tudo o que sobe, desce por isso foi embalar por ali abaixo. Nova recta até nova subida: para a Bemposta, onde sou de novo forçada a caminhar. É o calor, é o asfalto...não, nada disso! Sou eu! Podia estar melhor, podia ter gerido melhor o esforço, podia...muita coisa. Mas estava ali e fazia o que conseguia. Mais uma vez retomo a Corrida antes do fim da subida e depois há nova descida onde embalo. Chega-se de  novo à estrada de Bucelas e por aí é uma desgraça em termos de trânsito. Penso mesmo que nos deveriam ter aconselhado a levar colete reflector, que é o que eu levo quando vou treinar para a estrada, mas ali estava em prova, nunca pensei que precisasse mas dadas as condições teria dado muito jeito. Prova que nos nos obriga a lidar com o carros (ver se podemos atravessar, ir pela berma porque o trânsito está a circular, etc, etc.) não devia de ter nome de prova mas sim de treino. Não gostei! E não é uma questão de gosto, é claramente uma nota negativa quando uma organização põe desta forma a segurança dos atletas em risco. E aconteceu.

Por fim lá me aproximo de Bucelas e confesso que vou muito pouco fresca. Avisto o meu pai, sorrio e...corto a meta. Já não tenho t-shirt, mas tenho água que é o que mais preciso. 
Do meu escalão eram apenas 6 atletas, o que me permitiu um 3º lugar no escalão e uma ida ao pódio.

A 4ª Corrida Bucelas Capital do Arinto está feita. Venha a próxima.



Algumas imagens:






A partida:


Na 1ª volta:






Na 2ª volta:

Pelo caminho, e o trânsito aberto numa quase constante e sem dúvida perigosa companhia:




E para a Meta, já à rasquinha, e mais uma viatura a perseguir-me neste momento ao longe:

Mas acabar bem é assim: 





O pódio: 3º lugar no escalão, entre 6 atletas:





Mais fotos em:

De António Melro, meu pai - AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, aqui
De Gabriela Almeida, aqui
De Armindo Santos, aqui

quarta-feira, 13 de maio de 2015

3º Trilho das Lampas, 9 de Maio de 2015

3º Trilho das Lampas

Decorreu ao fim da tarde do dia 9 de Maio de 2015, o 3º Trilho das Lampas, prova organizada pelo Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, em parceria com a Sociedade Recreativa, Desportiva e Familiar de S. João das Lampas. Prova integrada no Circuito Nacional de Trail Running, na categoria de Trail Curto de dificuldade moderada, tendo por isso a supervisão da Associação de Trail Runnig de Portugal (ATRP).

Com um aumento substancial de participantes de ano para ano, teve nesta 3ª edição 804 atletas chegados à meta e cerca de 150 caminheiros. 

Uma organização à altura que não decepcionou. Desde as inscrições, passando pelo levantamento de dorsais, ambiente geral, a pontualidade na partida, a excelente marcação do percurso, quer as fitas para serem vistas de dia quer os numerosos reflectores para serem seguidos de noite, os bons abastecimentos, o controle, o acompanhamento durante a prova com vários elementos da organização a avisar dos cuidados a ter nos próximos metros, a chegada, os prémios de presença, a sopa quente, os banhos, as reportagens fotográficas, a rapidez nas classificações e entrega de prémios, tudo contribuiu para ter sido esta edição, mais uma edição de sucesso.

Está pois uma vez mais, a organização de parabéns. Muitos Parabéns Meia Maratona de S. João das Lampas - Grupo de Dinamização Desportiva, e todos os seus apoiantes que contribuíram para este sucesso.

"A minha Corrida" ou "O Trilho certo"

Então conta lá. Senta aí e fala-me do Trilho. Do das Lampas.

Ela abeirou-se de uma rocha mais saliente, ainda ofegante, as mãos sobre os joelhos e o corpo meio inclinado, a pingar suor. Sentou-se para descansar da última subida e a olhar o mar sob o Sol que se punha, ali, à beira da Praia da Samarra, começou a falar.

Eu já corro em trilhos há mais de 30 anos. Sempre gostei. De pisar a terra, arranhar-me na vegetação e sentir-lhe o cheiro, alcançar vistas só possíveis quando enveredamos pelo meio da serra, da montanha, da floresta ou do pinhal. Sempre gostei da irregularidade do terreno, da constante atenção que temos de ter para apoiar o pé na próxima passada. Sempre gostei de correr em trilhos, ou mesmo na sua ausência, atravessar serras e montanhas. De pisar a terra e sentir o mar também. Correr na Natureza. Comigo. Com ela. Em perfeita comunhão com a Natureza. Quando nunca tinha ouvido falar de Trails, eu já os corria sem saber. Depois vieram algumas provas de montanha, sempre a comprovar este amor pela Montanha e pela Natureza. Sempre adoráveis desafios vencidos, a reforçar este amor. E depois veio o Trilho das Lampas. Nascido apenas há 2 anos, muito a medo lá estive na 1ª edição, pois se é certo este amor, também certos são os medos que se enfrentam em muitos trails e aqui a rapariga é um pouco (?) medricas. Tem medo de alturas, de abismos, de descidas normais para o comum dos mortais mas que para ela ganham proporções alucinantes. E depois o Trilho das Lampas é corrido uma parte de dia e outra parte, invariavelmente, de noite para atletas do seu "nível". Medos redobrados mas espantosamente multiplicadas as sensações vividas inovadas por completo também no sabor da noite. E se correu bem o 1º, estive também no 2º. E claro, não podia faltar ao 3º!

Andava um pouco afastada do calendário de provas, por ter andado a tratar uma lesão, e quando dou por mim tenho o convite do meu amigo Fernando Andrade, organizador deste Trilho e da Meia Maratona, a 2ª mais antiga de Portugal: a Meia Maratona de S.João das Lampas, o convite, dizia eu, precisamente para a 3ª edição do Trilho das Lampas. Numa altura em que já estava praticamente recuperada, e as inscrições no Trilho esgotadas, este convite era irrecusável e aceitei-o de bom grado e a par das edições anteriores posso dizer que tenho lá estado sempre com a motivação extra que este amigo me dá e que sempre me empurra arriba acima.

Então, tudo o que digas é subjectivo, dada a tua relação de amizade com o organizador... já estou a ver - interpelou a voz, desafiadora e desconcertante.

Eu sabia que dirias isso, mas amizade à parte, numa Corrida e na Vida, sei apreciar com clareza o que de bem se faz e igualmente o de menos bem se faz, até e principalmente para que seja corrigido e melhorado. A crítica serve para alertar e dar a oportunidade de melhorar. Nem sequer estaria a ser amiga se omitisse o que quer que seja que não me pareça bem.

Ok, ok, volta lá ao Trilho.

Pedi ao meu mano que levantasse o meu dorsal na véspera. Sempre seria menos uma a estorvar no dia da prova. Assim, no sábado à tarde dia da prova, saí de casa com tempo e tinha tudo preparado. Encontro uma S.João das Lampas em festa como sempre que lá vou. Pórticos preparados, muitos atletas a dar mais cor ao largo e a sala para levantamento de dorsais perfeitamente calma, organizada e muito bem ornamentada para nos receber. 

Cumprimentos, abraços e beijos: as Corridas são sempre ponto de encontro de amigos e conhecidos, e depressa se aproxima a hora de partida. Umas breves palavras pelo Fernando e eis que a Partida é dada pelo Presidente da Junta, que apoia este evento.


Parto cá de trás. A relva macia é muito agradável, já tinha dado para ver durante o curto aquecimento. Depressa saímos do asfalto e entrámos nos trilhos. Adoro. Adoro mesmo. Apanho o meu amigo Adelino nos primeiros quilómetros, que não está no seu melhor e acabo por fazer o resto da prova com ele numa ajuda mútua e constante.


Este ano, porque a organização esticou um pouco o percurso antes do trilho, não houve o afunilamento dos atletas tão cedo. Apenas num outro ponto mais para a frente e por breves instantes. Numa altura em que sabíamos que mesmo se pudéssemos correr, não o faríamos pois a inclinação já se fazia sentir nas pernas. Estava a ver que nunca mais descansávamos! Este era o espírito. Mas sempre que se pôde, correu-se! Salvo nas subidas compridas e bem inclinadas e nas subidas e descidas por meio dos pedregulhos, a exigir alguma técnica e eu tenho muito para aprender também nessa área. Mas não deixo de as fazer, dando sempre passagem a alguém mais destemido que eu que vá mesmo atrás de mim e que eu esteja a fazer de rolha impedindo a passagem.


Temos abastecimento de água em copos que se enchem quantas vezes quisermos, a partir de garrafões. Gosto da ideia e do conceito.


Mais à frente, o Grupo Folclórico a animar a malta. 


E lá seguimos, já com o mar à vista, mas lá, longe.

Chegamos à praia ainda de dia, como nas edições anteriores. Subimos a falésia e ao chegar cá acima, aqui mesmo onde estamos sentados, vemos que continua a luz do dia! Estamos a andar mais Adelino! Sim, nas edições anteriores chego sempre aqui já noite e é necessário ligar o frontral. Hoje não! Ainda mais bonito o Pôr-do-Sol visto daqui! Lindo! Sobre o mar. Ainda atletas a descer e a atravessar a praia. Seguimos juntos. O Adelino não está no seu melhor e eu se por um lado lhe faço companhia, aproveito a boleia de quem tem experiência disto como poucos que conheço e sigo-lhe os passos. Nas arribas, nas descidas, nas subidas, agora às escuras, entre vegetação cerrada, guiando-nos pelos imensos reflectores que nos indicam o caminho de forma certeira. Ainda assim, mais que o vez o Adelino me chama ao Trilho certo, porque eu sou muito despistada... 

Um novo abastecimento, onde chegamos já noite dentro. Aqui há água, laranja, banana, batatas fritas, que se estão ali pelo Sal, dispenso-as pela gordura e preferiria sei lá, por exemplo tomate e sal...ou umas pevides salgadas...

Ah...então a menina tem preferências de ementa...como se estivesse no restaurante...estou a ver...

Ora, é uma sugestão, uma preferência que com os meus parcos conhecimentos de nutrição se adequaria bastante melhor às circunstâncias, e claro, também uma questão de gosto pessoal.

Sorriso a iluminar a arriba.Depois ela continuou a falar:

Depois do abastecimento, onde literalmente parámos para abastecer, nós e muitos que lá chegaram nessa hora, onde enchi o meu copo de água mais que uma vez, deixei o lixo no sítio certo, desfazendo-me de uma das garrafas que levara comigo desde a Partida e que entretanto já esvaziara, e seguimos caminho. De novo e sempre eu e o Adelino. Vou à frente, parece que o puxo, sinto-lhe a respiração, e a presença do seu frontal indicava-me se ele se mantinha perto ou se estava a atrasar-se muito e nesse caso, abrandava um pouco. Não o queria deixar nem queria que ele me deixasse. Depois, ele lá recuperava e parecia ganhar forças e era eu que o seguia de perto, não sem dificuldade.

A noite, o mar ali ao lado, o seu cantar, a maresia na cara, as luzes de frontais de atletas já ou ainda distantes, as pedras, a terra, a vegetação, o oscilar da luz  ténue do meu frontal no solo, o pó, o coaxar das rãs, a nossa respiração, o meu coração, os meus músculos, o meu corpo e a minha alma perfeitamente assimilados pela Natureza, e ela por mim, numa simbiose e harmonia perfeitas.

Afastamo-nos do mar agora e o Adelino sempre atrás de mim. O caminho da ponte romana, iluminado por archotes. Muito bonito e útil também, tendo em conta que a luz do meu fontal estava cá vez mais fraca.

Elementos da organização pelo caminho, a indicar o caminho, a avisar dos desníveis, dos potenciais perigos, a incentivar, a empurrar-nos para a frente. Para a frente é o caminho. 

Ainda caminhámos mais uns metros. A inclinação faz-se sentir e as pernas sentem o tratamento que já tiveram até aqui. Quilómetro 17 e já não falta tudo. Avançamos sempre que o terreno perde a inclinação ascendente e eu, entusiasmada aí, mais que uma vez o Adelino me chama para o Trilho certo. E eu volto, volto sempre ao Trilho certo. E onde começa a iluminação pública, desligámos os frontais. Ainda passámos um atleta ou outro mas estamos juntos e juntos nos vemos a chegar ao largo de S.João das Lampas. A relva macia é muito agradável, já tinha dado para ver durante o curto aquecimento. E agora, estamos a correr para a Meta. Alegria. Sinto alegria. Muita alegria! Corremos! Fortes! 

Meta cortada e marca o meu Garmin a distância de 20,460 Km e um tempo de 2h44m42s

Soube depois que fui o 653º atleta a cortar a meta, de um total de 804 chegados.

O meu pai presente. O Zé Gaspar presente. Máquinas em punho numa noite já fria para quem está à espera quase há 3 horas. 

Uma sopa quente esperava os atletas, que eu tinha já dispensado a minha ao meu pai que a degustou bem antes, andava eu pelo Trilho a sorrir e com as pernas a doer, de coração cheio. Quando acabo, o estômago não a aceitaria de qualquer forma. Uma laranja, uns bolinhos, água e estava completo o saco à chegada. Disponibilizou ainda a Organização, fogareiros para quem lá quisesse cear e fazer os seus grelhados, o que não foi o meu caso.

Grande relato...tão longo como o Trilho. Ufa! Parece portanto que a menina gostou e não tem nada a apontar à organização...

Sorriso. Novo sorriso. E remata:

Este é o meu Trilho certo! Parabéns e Obrigada Fernando Andrade e para o ano cá estarei de novo! 

Agradeço a companhia e companheirismo do Amigo Joaquim Adelino e desejo-lhe que tudo lhe corra bem nos 100 Km de S. Mamede que ele vai enfrentar já neste fim-de-semana

Agradeço também à Anabela Rodrigues, responsável pelo facto de eu ir tão bem calçada, como há anos não andava (corria) e além disso, gira! 

E se ainda não se atreveram nos Trilhos, do que estão à espera?  Este é o meu Trilho certo. Descubram o vosso.

Maria Sem Frio Nem Casa


Classificações podem ser consultadas no site da prova, aqui

Mais informações diversas sobre este 3º Trilho, no Facebook, aqui

Deixo-vos agora imagens de um cheirinho do que foi este 3º Trilho das Lampas:

Alguns videos:
Por Rui Infante:



Por Rui Marques:



Por Simão Seiça:

Algumas imagens para registar e recordar também este 3º Trilho:
A t-shirt, prémio de presença para todos

O meu dorsal

O registo do meu Garmin
Outras imagens que falam:

Equipada:

Os ténis à estreia, depois de alguns treinos, claro (2 apenas e pequeninos, que o tempo não chegou para mais)
Do levantamento dos dorsais:


Com o Organizador, o meu Amigo Fernando Andrade:

A aquecer antes da Partida, com o meu Amigo Joaquim Adelino com quem acabei por partilhar a prova praticamente toda, numa ajuda mútua  e companheirismo:


A Partida dada:

Foto de Sidónio Ginja

Foto de Sidónio Ginja

E lá vou eu, concentradíssima, como se vê:
Foto de Sidonio Ginja


Partida dada há escassos minutos e lá vamos nós...Obrigada Leonor Duarte












Meta alcançada:


Meta cortada, respiração de regresso à calma e o reencontro com o meu Melro:

E o diploma, para a posterioridade:


Mais fotos em:

Pela AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, aqui

Pela Leonor Duarte, aqui

Pelo meu Pai, o Melro, aqui

Por P.S Fotografia, aqui 

Pelo O Praticante, aqui