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quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Faltam pouco mais que meia dúzia de dias para a Maratona do Porto - Que fizeste hoje?

Muitos dias passaram desde o último texto aqui. 

O que fiz hoje? Nada de especial interesse. Principalmente se pensarmos na prova rainha que aí vem.

No entretanto, nestes muitos dias que passaram, muita água correu.

Deixei de estar inscrita na 11ª Maratona do Porto, a realizar-se já dia 2 de Novembro.

Agora sou o dorsal 8053 para a Family Race. Prova com cerca de 16 Km de distância a decorrer em simultâneo com a Maratona, que ambiciono correr. Assim, estarei lá, bem perto dela. Da Maratona. A sentir-lhe o cheiro, a cor, o brilho, a senti-la tocar-me na anca, ao de leve, e eu vou sorrir com alguma tristeza, que eu sei. Este ano outra vez, ela está-me interdita e partirei lá de trás, na Partida da Family Race, seguindo os Maratonistas e acompanhando-os até ao km 10, creio. Depois viramos nós para a nossa Meta e eles seguem, como eu segui no ano passado. Até à Meta depois de corridos 42.195 metros.

Este ano, posso dizer que não foi (apenas) desmotivação e pouca disponibiidade para os treinos de preparação. Este ano, posso dizer que estou lesionada mas porque não o sei, não vou dizer que tenho isto ou aquilo, especificando tecnicamente o que em linguagem popular é expresso por:

Pé lixado. Dor no calcanhar (lateralmente), em redor do tornozelo e claro, a cereja em cima do bolo, o famoso tendão de aquiles a gritar pela perna acima em cada passo de Corrida. Resumindo: tenho um pé lixado e os treinos são penosos, logo bem curtos e com grande espaço de tempo de recuperação (tentativa de) entre eles, inimaginável para qualquer pessoa que diga que corre. A ver se passa. Digo. Não passa. Vai ver. Sim, tenho de ir ver. Um dia.

Dia 2 de Novembro, estarei na Partida, atrás dos Maratonistas, a fazer a festa, a viver a festa, a correr nas ruas do Porto. A matar saudades. A reviver e a viver de novo. Emoções novas por certo, como sempre. Porque a vida essa, nunca pára de correr. E ao contrário de mim, corre todos os dias e faz de todos os momentos, por mais banais que nos pareçam na altura, verdadeiramente especiais e únicos.
Molly, por estes dias
Maratona do Porto - Novembro 2013

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

E o III Grande Prémio Emanuel Rolim foi assim...

Já foi há imenso tempo, mas não deixo em branco uma página de blogue, se posso nela depositar mais uma fantástica manhã de Corrida, fazendo eco ao que de bom se faz por aí, em prol da Corrida, em prol da prática do desporto para todos, em prol da Vida e da qualidade de vida das pessoas normais, cidadãos comuns que têm dessa forma uma oportunidade de se tornarem mais activos, participativos e vivos.

Foi na Atalaia, Lourinhã, no sábado dia 6 de Setembro de 2014. Foi o III Grande Prémio Emanuel Rolim e foi assim.

Para além de homenagear o promissor e internacional atleta Emanuel Rolim, há pouco chegado de Zurique onde participou no que foi o seu 1º primeiro campeonato da Europa de Atletismo e onde alcançou um magnífico 21º lugar na geral, esta prova aposta nas provas dos escalões jovens, abrindo horizontes e mostrando um mundo novo aos pequeninos e a muitos dos grandes.

Com um custo de inscrição de apenas EUR 2,00 (só para a prova principal com a distância aproximada de 8 km, pois todas as provas dos escalões jovens tinham inscrição gratuita), foi oferecida a todos os participantes uma manhã excelente. De deporto, convívio, alegria e festa. As provas tinham partida e chegada ao recinto coberto da festa (em honra da Nossa Senhora da Guia). Faltou o pórtico insuflável do ano passado, que daria outra dimensão ao momento, mas preveniu-se um temporal que ameaçou mas felizmente acabou por não acontecer.

Percurso igual ao ano passado, muito bem assinalado, sempre apoiado por vários membros da organização indicando o caminho, e bom policiamento que coordenou o trânsito de forma eficaz este ano, garantindo perfeitamente a segurança dos atletas. Dois abastecimentos de água, o que é acima de excelente, pois a prova não chega a 8 km de distância mas o calor habitual da época e o desnível para os menos preparados, faz agradecer e bem os 2 abastecimentos.

Uma parte corrida em alcatrão, outra em terra batida a ver o mar, fazem desta prova uma mistura de "cidade", campo e praia, mesmo que sejam apenas breves amostragens. O cheiro a estrume, a terra molhada e vegetação e depois o mar para descansar o olhar são na minha opinião, um mimo nem sempre visto ou sentido.

Este ano a prova, para além da habitual participação do nosso Emanuel Rolim, teve a presença fantástica do campeão Francis Obikwel, que com a sua simpatia infinita e um sorriso incansável deu autógrafos, pousou para as fotos e entregou prémios, para encanto de todos e especial fascínio dos jovens atletas.

Prémios de presença para todos, fruta, um pequeno bloco, um imán para o frigorífico com o logotipo da prova, um pequeno livro infantil e muita simpatia e tratamento acolhedor.

Prémios por classificação justamente distribuídos entre os escalões, sem discriminações como aconteceu no ano passado entre o sexo masculino e o feminino. Taças e medalhas e ainda Experiências oferecidas pelos patrocindores Odisseias e Noiva do Mar.


Entrega de prémios relativamente rápida e feito de forma regular, assim como foi a entrega de dorsais, as inscrições (incluindo as de "à última hora"), as partidas e as chegadas.

Por tudo isto, por tudo o que foi feito pela 3ª vez nesta vila da Atalaia, está a organização de Parabéns. Muitos Parabéns! Que continuem a acreditar, que nós lá estaremos sempre! A participar, a apoiar, a correr, a viver uma manhã de festa e desporto.


Ana Pereira


Cerca de meia centena de fotos, basicamente pelo meu pai, aqui


E algumas para alegrar o blogue, seguem-se por aqui:















quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Faltam 74 dias para a 11ª Maratona do Porto - Que fizeste hoje?

Há algum tempo que aqui não escrevo. Muita água tem corrido. Mas quem deve correr és tu, não a água, disse a raposa.

A rapariga tem feito...coisas! E sim, tem treinado alguma coisinha. O suficiente para dizer ai tenho um pé fundido, caso o pé fosse uma lâmpada. Mas se o pé fosse uma lâmpada, não estava fundido mesmo, estava apenas a falhar, a dar uma luz mais fraca, intermitente, insuficiente para a leitura de um bom livro onde a estória correria a velocidade constante.

Entre as "coisas" feitas, há um par de ténis comprados. Andava lá para ela a magicar que as dores no pé (calcanhar, tornozelo, tendão de Aquiles, a subir pelo gémeo acima de forma agoniante à medida que os treinos se desenrolam) se deviam fundamentalemnte aos ténis que tem usado e por isso resolveu abrir um bocadinho o cordão à bolsa e está convencida que os ténis novos são melhores. Melhores significam que lhe proporcionam melhor protecção, estabilidade e amortecimento para o seu esqueleto que já suporta com o seu insuportável peso.

Foi hoje estreá-los e ...pimba! 13,200 Km corridos em 1h20m em tranquilidade se considerarmos ter um pé aos gritos (baixinho) correr em tranquilidade.

Está contente e triste (mas pouco!) a rapariga: acredita agora que a Meia Maratona de S.João das Lampas vai mesmo ser corrida por ela e constata que não está mesmo em condições de abraçar nenhum programa de treinos para a Maratona do Porto.

É assim (e de outras formas também) a Vida.




sábado, 2 de Agosto de 2014

Faltam 92 dias para a 11ª Maratona do Porto - Que fizeste hoje?

De hoje precisamente a 3 meses (dia 2 de Novembro de 2014) estará a decorrer e a correr-se a 11ª Maratona do Porto.

E tu, que fizeste hoje?

Verifiquei minha inscrição:

De acordo com o site da Organização, serei o dorsal 102 e será com ele ao peito que correrei os 42.195 metros.

O objectivo é... cortar a meta, de preferência tendo percorrido os 42.195 metros da Maratona em passo de Corrida, o que não consegui o ano passado, pois tive de caminhar por diversas vezes a partir do km 35...36...por aí fora, ora corre ora anda, até à Meta.

Gostaria muito de não precisar de o fazer este ano. Gostaria muito de conseguir correr (por mais lento que  seja) os 42.195 metros, da Partida à Meta.

Conseguirei? Não sei.

E para além de verificares a tua inscrição, que mais fizeste hoje?

Corri 7,020 Km em 41m50s, numa média de 5'58" / Km

Recordações da 10ª edição:


ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

ANA PEREIRA

Nacionalidade: Portugal
Equipa/clube: INDIVIDUAL
Data de nascimento: 24/01/1969
Sexo: F
Escalão: F40
Objectivo:
- See more at: http://www.maratonadoporto.com/pt/consulta-de-inscricao-2014/33738/#sthash.3cA7gCpM.dpuf

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Autocarro para a Maratona do Porto 2014




XI MARATONA DO PORTO - 2 de Novembro de 2014

AUTOCARRO para a 11ª Maratona do Porto 2014: Lisboa-Porto-Lisboa 

Custo: EUR 12,50 / pessoa - ida e volta -

Disponibiliza a runporto.com, coordena e organiza: Ana Pereira

Esclarecimentos e reservas para: 

anamariasemfrionemcasa@gmail.com 

Ou Tlm: 964 937 456

Saída Lisboa sábado de manhã (1 de Novembro); Regressa a Lisboa no domingo 2 Novembro depois de terminada a 11ª Maratona do Porto

Estás a pensar ir ? Não fiques muito tempo a pensar! Olha que os autocarros enchem depressa! Faz a tua reserva!


E eu? Eu também quero CORRER A XI MARATONA DO PORTO!  








E tu? Faltam 115 dias! Ainda vamos a tempo?

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

O Cupido e a Crise - PARTE III

Para que haja um mínimo de hipóteses, mesmo que remotas, de perceberem alguma coisa do que escrevo de seguida, convém ler primeiro:

O Cupido e a Crise - PARTE I, aqui.

e depois O Cupido e a Crise - PARTE II, aqui.

E agora sim, a continuação desta novela:  


O Cupido e a Crise - PARTE III


O que o Cupido não imaginava, é que depois de retirar a seta ao rapaz, pensando ter remediado o mal, não deixara apenas a ferida aberta, que cicatrizaria naturalmente em poucos dias, mas deixara também, bem profundo na carne a criar raízes entre músculos e vasos sanguíneos, bem perto do coração, deixara também... um pedaço da seta lançada naquela malfadada noite.

E por isso o rapaz tem sofrido e por isso a ferida não há meio de fechar. Ele bem se tenta distrair, olhar para o lado e assobiar mas em horas impróprias, sem aviso ou notícia, ela invade-lhe o pensamento, instala-se à sua frente sentada de pernas traçadas e braços abertos, sorrindo e provocando-o descaradamente com aqueles olhos doces malandros.

E o pior é que se voltaram a encontrar. E se ele já se estava a preparar para a esquecer, para se convencer que tudo não passava de imaginação e desejo seu, ela, com o seu ar doce e natural, olha-o como só ela sabe e transporta-o para além com um poder que mais ninguém tem. E pior ainda, depois de se cumprimentarem com dois naturais beijos na cara, ela descarada e naturalmente pede-lhe uma repetição de beijo. E ele, tão feliz quanto ingénuo e sonhador, derrete-se num sorriso de orelha a orelha, aproxima-se dela como íman, deliciado, e lentamente beija-a de novo nas faces. Primeiro a direita. De forma lenta, sensual e intensa. A sentir cada milímetro da pele macia dela a deslizar na sua. Os lábios dele tocam-na e deslizam suavemente quase ao encontro da boca dela para então numa súbita réstia de bom senso, afastar o rosto dele do dela, as bocas a  mílimetros, para então repetir o acto na face esquerda dela. 

Ouviram-se os sinos, os anjos tocaram arpas e ele esteve uma eternidade no Paraíso, apesar de aos restantes comuns mortais, aquele segundo beijo entre eles, perfeitamente dispensável pois já se tinham cumprimentado naquela noite, tenha durado o tempo escasso de brevíssimos segundos. Para ele foi uma eternidade adorável e doce e agora recorda cada miléssimo de segundo como instantes felizes na sua vida. Tão pouco e tanto! Começa a gostar mesmo daquela rapariga, pensa. 

Por vários momentos em que os seus olhares se tocam, ele sente vê-la para além da imagem que ela dá a todos. Sente-a além. Como se visse para além. Para além do sorriso habitual e da igualmente habitual simpatia. Como se visse para dentro dela.

Mas ele precisa e quer ver mais. Sente-se cada vez mais atraído e mais interessado. Não por aquela imagem simpática que a rapariga vende a qualquer um, mas verdadeiramente por ela, pela sua essência, pedaços dela que ela deixa escapar propositadamente ou não, por breves instantes aos olhos dele, atento. 

E ele quer mais. O sacana do Cupido bem que podia dar uma ajuda. O rapaz não percebeu ainda o que está efectivamente além daquilo que todos vêem nela. Ele, enxerga além, mas o horizonte está ainda turvo. 

Não desiste, pensa nela a toda a hora e acredita que ainda vai poder saborear aquela rapariga de verdade, longe das luzes da ribalta, da imagem criada, por ela e por ele também.

Em relação ao sacana do Cupido, o rapaz nem sabe o que lhe dizer ou fazer. Sabe-lhe bem este sentir. Adora sentir-se vivo de novo e só por isso, lhe agradece e perdoa a falta de setas naquela primeira noite.

domingo, 29 de Junho de 2014

35ª Corrida das Fogueiras


Peniche, 28 de Junho de 2014


Corrida está a 35ª Corrida das Fogueiras:

1h30m30s - 15,170 Km - Média de 5:58 / Km - Estupendo!!!- principalmente pela forma como geri a Corrida e como me senti!

A minha Corrida das Fogueiras:

Com a cabeça cheia de rock 'n' roll, a alma repleta com um turbilhão de emoções a fervilhar e o coração a transbordar de alegria, assim me apresentei em Peniche. 

Talvez o facto de fazer já algum tempo sem participar em provas tenha também contribuído para este estado: queria correr, uma vontade louca de sair por ali disparada a correr na noite de Peniche invadia-me a alma, percorria o meu corpo e despertava-me um prazer há algum tempo adormecido.

Houve alguns treinos para a distância e características da prova. Treinos suficientes para fazer a prova, entenda-se. Não muitos nem muito bons, mas acreditava que seriam suficientes. No entanto sabia que teria de ir com cautela. Afinal há muito que não corria a ditância e estava bem consciente que o facto de nas últimas 48 horas ter dormido apenas 2 com muita agitação e quilómetros de estrada à mistura, não prometiam grandes prestações nem me colocavam na melhor das formas físicas desejáveis para fazer a prova com prazer e acabá-la bem, que é sempre o meu objectivo.

Surpreendentemente verifico que me foi (aleatoriamente, como aconteceu com outros atletas também, o que é no mínimo caricato) um dorsal VIP. VIP eu? Pois sim... cá em casa talvez. Mas aproveitamos sempre para brincar com estas coisas. Verdadeiramente Importante Pessoa, traduzo livremente e admito que é verdade sim senhora, o dorsal foi-me muitíssimo bem atribuído!

O dorsal VIP permite-nos algumas regalias e se algumas dão muito jeito, o podermos partir na 1ª linha, é para mim, é uma completa loucura e se por momentos me vi tentada perante a insistência de uma colega de corrida que também lhe tinha calhado em sorte um dorsal VIP, e queria partir da frente, quando lá chego e vejo aquele mar de gente frenético, compacto entre as grades, a segurar os cronómetors, nervoso a dar à perninha, à espera do tiro para se soltar, voltei de imediato à realidade e decidi partir de trás. Partir dali seria uma completa patetice. Prejudicaria os que lá estavam por mérito e prejudicar-me-ia a mim também. Só iria estorvar, e corria sério risco de ser abalroada. Uma completa loucura e estupidez, na minha opinião, claro. Ela ficou, eu voltei lá para trás para partir numa zona com nível e andamento mais adequado à minha condição física.
E lá estou eu, excelentemente posicionada para a minha Partida - quem me encontra?
Fotos de Mafalda Lima - Espectacular cenário da Partida, este

Tiro dado e só passo a linha de Partida já tinham decorrido 3 minutos de prova. Precisamente só aí nos é possível começar a correr. Bastante congestionamento, abrandamentos porque há imensa gente e a rua é estreita (metada da rua, separada por grades).

Por isso o 1º km é corrido de forma tão lenta. Depois disso ia-se relativamente bem. Andamento bom (para mim) e lá fui somando quilómetros entre muita gente. 

Depressa estamos de novo na zona da meta, onde temos 6 Km percorridos e onde ficam os participantes nessa distância (Corrida das Fogueirinhas), para então a Corrida das Fogueiras começar verdadeiramente. Já há menos gente aglomerada e corre-se sem qualquer dificuldade. 

Muito público pelas ruas de Peniche. A aplaudir, a incentivar, a animar. Só por isso já valeria a pena.

E já ao lado do mar, onde os candeeiros se apagam começam elas a surgir. Aqui e ali, a crepitar brilhantes e a soltar fagulhas a esvoaçar com o vento. A iluminar o caminho, a dar às silhuetas dos atletas formas esguias e fantasmagóricas. Fantasmas à solta pelo asfalto, ao lado o mar com o inconfundivel odor salgado, misturado agora com o delas. As fogueiras.

Todos estes quilómetros junto ao mar, são a essência da Corrida das Fogueiras. Assim o sinto, assim o vivo. A estrada sobe e desce mas eu gosto. Muito! Vento na cara, nas pernas no peito. Encho-o com aquele mar e elevo-me. Sinto-me bem. O Paraíso está aqui e eu estou dentro dele.

Sinto-me tão bem que mesmo com os desníveis acelero o passo. Com naturalidade. Com facilidade. Cavalo à solta feliz é como me sinto. Aquela vontade louca de sair por ali disparada a correr na noite de Peniche preenche-me a alma, percorre-me o meu corpo e sai em cada poro em forma de suor, em cada passada, em cada inspiração. 

Tantas crianças pelo caminho de mão esticada para lhe tocarmos. Ganho energia em cada uma que toco. Que toco propositadamente mesmo fazendo curtos desvios à minha direcção que supostamente deveria de ser em linha recta, o mais curta possível para chegar à meta. Mas não, a vida não é uma linha recta. E ganho energia e alegria e amor em cada mão pequenina tocada. 

Acredito que os pais daquelas crianças não se vão esquecer de lhes mandar lavar as mãos com água abundante e espuma de sabão azul e branco ou de outra cor qualquer. É que as nossas mãos estão suadas, têm vestígios de fluido nasal porque já o limpamos várias vezes para o libertar do nariz, facilmente produzido pelo vento e pelo exercício. Sorrio com esta ideia. Mas não me preocupo e não dispenso uma mãzinha também ela consporcada, por tantas que já lhe bateram, e toco-lhes e eles sorriem de olhos brilhantes a reflectir a chama das fogueiras. E eu sigo mais rica, mais forte e mais feliz.

E assim, depressa demais chego ao km 14. Depressa demais porque queria e podia mais. Não queria que acabasse já... Mas a prova é de 15 km. Acelero mais. Estou tão, mas tão bem! Pernas, coração, cabeça. Estou completa. só me falta chegar à meta e reencontrar o meu pai. 

De novo, um corredor de gente a gritar-nos, incentivando-nos. Não vejo o meu pai. Corto a meta. 

Aguma confusão para sair dali. Muitos atletas chegados e há demasiada aglomeração. Muita confusão e águas ali, medalhas acolá passadas de mão em mão. Não gostei.  Saio dali o mais depressa que pude e procuro o meu pai no nosso ponto de encontro. Lá está ele. Está tudo bem portanto. Mais uma Corrida corrida e bem vivida. 

Saio de Peniche muito feliz. Porque corri, perguntarão? Não, por um milhão de boas sensações e emoções vividas, isso sim!

Ana Pereira

A Corrida quilómetro a quilómetro:

 1º Km: 6:43
 2º Km: 5:55
 3º Km: 6:16
 4º Km: 6:09
 5º Km: 6:02
 6º Km: 6:11
 7º Km: 6:04
 8º Km: 6:06
 9º Km: 6:14
10º Km: 5:55
11º Km: 6:11
12º Km: 5:49
13º Km: 5:46
14º Km: 5:14
15º Km: 5:03

O meu Melro, colaborador da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, com o seu colete novo, a postos para mais uma reportagem das suas, mas infelizmente por questões técnicas (ou falta delas) não  se conseguiu obter quaisquer imagens dos atletas em prova. Por isso estamos tristes, mas paciência. Venha a próxima:


E isto também é Peniche:
 
 




Fotos pela Mafalda Lima, podem ser vistas aqui 

Fotos pelo Pedro Mestre, da AMMA - Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, podem ser vistas aqui

sábado, 28 de Junho de 2014

500 e UHF

500. Nunca fizera tantos quilómetros num espaço tão curto de tempo para ir ver um tipo. Mas desta vez tratava-se de ir ver não um, mas cinco tipos. Uma mão cheia deles portanto. E portanto também, dá uma média de 100 km por tipo, o que já pode ser considerado perfeitamente aceitável e normal pela maioria das pessoas. E estes tipos valem isso e muito mais como se veio a demonstrar na noite de Tábua.

Assim, a rapariga pôs-se a caminho, e entre amigos teve mais um pedaço de vida feliz.

UHF, há mais de 30 anos entranhados nela, e depois de tanto tempo afastada, volta a sentir tudo de novo. Sentimento renovado e amadurecido, mas com a mesma energia e vigor. A mesma alegria. A mesma garra e vida em cada tema, que ela espreme e suga, sorvendo ao máximo a energia transmitda, a mensagem, a força, o encanto e a magia, tão necessários à vida dela e que escasseiam na maior parte dos dias.

Obrigada UHF!

E ontem em Tábua, os "Sonhos na estrada de Sintra" foram assim:


 









Mais fotos desta magnífica aventura, podem ser vistas num pequeno algum, aqui